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Brasil Sinfônico, de Alexandre Levy a Egberto Gismonti 07.11.16

Brasil Sinfônico, de Alexandre Levy a Egberto Gismonti

Uma impressionante sinfonia de sapos – coaxando a plenos pulmões sob a chuva miúda que regava o Jardim Botânico na noite de ontem – foi a trilha sonora oferecida pela natureza durante a chegada do público que ocupou três quartos do Teatro Tom Jobim para assistir ao concerto “Brasil Sinfônico”.


Idealizada como homenagem a Heitor Villa-Lobos e Egberto Gismonti, a apresentação teve início com a entrada dos músicos da Orquestra Sinfônica Cesgranrio, seguidos por seu regente, Eder Paolozzi, para a execução de “Samba”, exuberante obra de Alexandre Levy que integra a sua Suíte Brasileira. A plateia, disposta em forma de arena, permitiu ao público ângulos inusitados de visão dos instrumentos e uma sensação arrepiante de “pressão” sonora.


Para o segundo número, o raro “Samba Clássico” de Villa-Lobos, foi convidada à arena a simpática soprano Mirna Rubim, que preencheu cada canto do teatro com a força e o calor de sua voz não microfonada, amparada pelo belo arranjo de Villa que inclui instrumentos de percussão como ganzá e reco-reco.


A presença do Maestro se fez sentir, ainda mais forte, no número seguinte. Com direito a celesta, xilofone e a arrepiante Ária (Cantiga), “Bachianas Brasileiras nº 4” abriu alas para a execução de “O trenzinho do caipira”, conhecidíssima tocata da “Bachianas nº 2” (cantarolada baixinho pelo público).


Foi o momento de passar ao segundo homenageado da noite: Egberto Gismonti. Chamado à cena, o pianista André Mehmari fez questão de expressar, ao microfone, sua admiração por Gismonti. “É um norte que sigo perseguindo”, disse ele, sem saber que Egberto estava a alguns passos de distância, na plateia. “É um raro exemplo de conexão homem-música. Conexão direta, sem corte.”


Também homem-música, Mehmari tirou maravilhas do piano, acompanhado pelos músicos da Cesagranrio. “Loro” e “Frevo”, de Gismonti, enlevaram os corações. “Batuque”, de Oscar Lorenzo Fernandez, da suíte Reisado do Pastoreio, fechou o programa – reiniciado por entusiasmados pedidos de bis.


Mehmari voltou à arena, sozinho, e presenteou o público com um tema esfuziante, que continha citações a “Ciranda, cirandinha”, “O trenzinho do caipira” e a obras de Ernesto Nazareth, como “Apanhei-te, cavaquinho” e “Brejeiro”.


Uma noite para ficar na memória!