Ministério da Cultura, Governo do Rio de Janeiro, Secretaria de Estado de Cultura, Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Rio de Janeiro, Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, Secretaria Municipal de Cultura, VIVO e BNDES apresentam

Notícias

Mais importante gênero instrumental brasileiro tem noite de glória no Tom Jobim 08.11.16

Mais importante gênero instrumental brasileiro tem noite de glória no Tom Jobim

“Que noite mágica!”, resumiu um dos expectadores do concerto A Grande Noite do Choro ao fim do vigoroso espetáculo realizado no último domingo no Teatro Tom Jobim, como parte da programação do 54º Festival Villa-Lobos.


Encerrado em altíssima voltagem com o bis de “Tempo de criança”, clássico do violonista Dilermando Reis (um dos homenageados da noite, por conta de seu centenário em 2016) em arranjo arrebatador de Everson Moraes, o concerto deixou no público a sensação de ter vivido momentos únicos no agradável teatro do Jardim Botânico.


A apresentação teve início com a entrada dos músicos da Banda Anacleto de Medeiros – Andréa Ernest Dias, Cristiano Alves, Fernando Silveira, Gilson Santos, Wellington Moura, Whatson Cardozo, Gilberto Pereira, Josué Soares, João Luiz Areias, Eliézer Rodrigues e Oscar Bolão –, precedidos pelo simpático regente Antonio Augusto, responsável, ao longo do programa, por comentários que contextualizaram as obras executadas, tornando o concerto ainda mais cativante.


“Brasil novo”, de Heitor Villa-Lobos, abriu os serviços. Após discorrer sobre a influência de Anacleto de Medeiros na obra de Villa, Antonio Augusto anunciou as três músicas seguintes – “Jubileu”, “Três estrelinhas” e “No baile” –, todas de Anacleto, também homenageado pelo festival, em razão dos 150 anos de seu nascimento em 2016.


Outros compositores, cúmplices de Anacleto na sedimentação do choro, foram evocados na sequência: Henrique Alves de Mesquita (“Batuque”), Ernesto Nazareth (“Henriette”) e Chiquinha Gonzaga (“Corta-jaca”, em arranjo salseado de Vicente Ribeiro).


Para tocar “Qualquer cousa”, do oficleidista Irineu Batina (professor de Pixinguinha), Augusto chamou ao palco o músico Everson Moraes, realizador de profunda pesquisa sobre o oficleide, instrumento musical muito popular no século XIX e caído em desuso no início do século seguinte. Munido de seu próprio oficleide, Everson integrou-se à banda e apresentou, na sequência, “Maxixe da Broinha”, composição que fez para a filha Cecília.


Paulo Sérgio Santos, virtuose do clarinete, foi o próximo convidado. À frente da banda, honrou Pixinguinha e seu “Marreco quer água”. Depois de mais dois belos Anacletos (“Yara” e “Avenida”), foi a vez de Daniela Spielmann, Diogo Sili, Alessandro Valente, Alexandre Brasil e Beto Cazes – que integram o conjunto Rabo de Lagartixa – se juntarem à trupe para evocar o “Tempo de criança”, de Dilermando Reis.


Sozinho no palco, o Rabo de Lagartixa apresentou dois números de seu primeiro CD, Quebra-queixo, de 1998. Foram eles a faixa-título, de Caio César, e “Paranoá”, de Marco Pereira. O roteiro seguiu com obras de Villa-Lobos gravadas no recente O papagaio do moleque (2015), disco dedicado à obra do Maestro, com destaque para “Brincadeira” e “Melodia sentimental”.


O convidado seguinte da noite, Henrique Cazes, foi chamado à cena, emocionando a todos com seu terno choro “Duradoura paixão”, feito para o arquiteto Alfredo Brito, figura querida no meio musical, grande entusiasta e propagador do gênero, falecido há um ano. Com a adesão de Paulo Sérgio Santos, o sincopado “Samba da Lua”, que o clarinetista fez num voo de avião, foi o próximo número, contando com inspirados solos de Paulo, Daniela e Henrique. “Magoado”, “Disse-me-disse” e “Doutor Sabe-Tudo”, de Dilermando Reis, foram tocadas em seguida, abrindo alas para o retorno dos músicos da Anacleto de Medeiros ao palco para o catártico bis.


Foi realmente uma noite mágica, à altura do mais importante gênero instrumental brasileiro de todos os tempos.