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Nó Em Pingo d’Água e Zélia Duncan saúdam o samba em noite encantadora – de ‘Pelo Telefone’ a ‘Pela Internet’ 14.11.16

Nó Em Pingo d’Água e Zélia Duncan saúdam o samba em noite encantadora – de ‘Pelo Telefone’ a ‘Pela Internet’

Os cem anos do mais emblemático gênero musical brasileiro foram honrados num dos mais encantadores concertos oferecidos pelo 54º Festival Villa-Lobos até o momento. “Homenagem ao Samba”, quarto show da série Música Sem Fronteiras, reuniu o conjunto Nó Em Pingo D’Água e a cantora Zélia Duncan – ambos com discos recentes dedicados ao ritmo – na chuvosa noite de ontem (13/11), no palco do Espaço Tom Jobim, diante de um público caloroso e vibrante.


Abrindo a apresentação com brejeira versão de “Pelo telefone” (samba de Donga que ainda é considerado marco fundador do gênero, apesar das conhecidas polêmicas), o Nó Em Pingo D’Água aqueceu os corações da plateia com clássicos do naipe de “Se você jurar” (Ismael Silva, Nilton Bastos e Francisco Alves), “Samba da minha terra” (Dorival Caymmi), “Nanã” (Moacir Santos e Mário Telles), “O morro não tem vez” (Tom Jobim e Vinicius de Moraes) e “Último desejo” (Noel Rosa) – este último tocado de forma pungente apenas por Rodrigo Lessa (bandolim) e Caio Márcio (violão). Lindamente arranjadas por Lessa, as obras integram Sambantologia, CD que o grupo – composto também por Mário Sève (sopros) e Celsinho Silva (percussão), com adesão de Jefferson Lescowich (contrabaixo) – lançará em dezembro próximo em tributo ao centenário do samba.


Depois de finalizar a primeira parte do concerto com “Conversa de botequim” (Noel Rosa) –cumprindo roteiro que não deixou de evocar Egberto Gismonti, homenageado do 54º Festival, com a execução de “Salvador”, faixa-título de antigo disco do grupo –, Lessa, em nome do Nó Em Pingo D’Água, convidou Zélia Duncan para o palco.


Graciosa num moderno vestido vermelho e calçando altíssimas plataformas, a cantora lembrou que dividia o palco pela primeira vez com o Nó Em Pingo D’Água. Juntos, apresentaram dois sambas que ela gravou em 2004, no disco Eu me transformo em outras: “Quando esse nego chega” (Haroldo Barbosa) e “Meu rádio e meu mulato” (Herivelto Martins). A verve, a entrega e a simpatia da cantora arrebataram o público.


Ao lado de sua banda – Webster Santos (cavaco), Pedro Franco (violão), Domingos Teixeira (violão de 7 cordas), Thiago da Serrinha e Pretinho da Serrinha (percussões) –, Zélia deu show em todos os sentidos. Segura, passeou pelos graves e agudos da bela “Eu mudei” (parceria sua com Bia Paes Leme). Foi lírica e gaiata em “Tô” (Tom Zé e Elton Medeiros). Alto-astral em “Pela Internet”, pelo restabelecimento do “nosso amado Gilberto Gil”. Destilou suíngue em “Olha, o dia vem aí” (feita por ela com Xande de Pilares). Entre uma e outra, jogou beijos para Moraes Moreira, na plateia.


Mesmo sendo sempre ela mesma, Zélia se transformou em outras ao longo da apresentação. Foi Elizeth Cardoso em “Antes do mundo acabar” (sua com Zeca Baleiro, e faixa-título do atual CD de trabalho, vencedor do Prêmio da Música Brasileira na categoria Melhor Disco de Samba). Foi Cássia Eller em “Nega manhosa” (Herivelto Martins), cantada toda no feminino, em inversão de papéis, como contrapeso ao machismo que disse ter percebido ultimamente na letra de Herivelto.


“Pintou um bode” (Paulinho da Viola), bem-humorada, e “Vida da minha vida” (Moacyr Luz e Sereno), de jogar ciscos nos olhos do público, fecharam o roteiro – reaberto em seguida com “Leonor” (Itamar Assumpção) e “Samba de Arerê” (Arlindo Cruz, Xande de Pilares e Mauro Jr), do repertório da “rainha Beth Carvalho”.


Vem ver, o meu povo cantar/ Vem ver, o meu samba é assim/ Amor, você pode provar/ Mas deixe um pouquinho pra mim – ainda era possível ouvir o público cantarolando, sob guarda-chuvas, na saída do espetáculo.


E viva o samba!