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Festival joga luz sobre tesouro da música de câmara: a integral da obra para canto e piano de Heitor Villa-Lobos 17.11.16

Festival joga luz sobre tesouro da música de câmara: a integral da obra para canto e piano de Heitor Villa-Lobos

A série Movimento de Câmara do 54º Festival Villa-Lobos realizou um feito notável em 2016: reunir e trazer à luz (dos refletores do Espaço Cultural BNDES, no centro do Rio de Janeiro, com entrada franca) a integral da obra para canto e piano do compositor Heitor Villa-Lobos.


Dividida em quatro concertos com recortes temáticos, a coleção de mais de 100 canções do Maestro foi executada em sua completude pela primeira vez. A oportunidade histórica de conhecer essa faceta da obra de Villa se deu graças ao bravo esforço dos cantores e intérpretes envolvidos nessa notável empreitada.


O primeiro concerto, realizado no dia 7 de novembro, trouxe a expressiva soprano Rosana Lamosa acompanhada pelo pianista Nahim Marun. No programa, obras de Villa que abraçam o cancioneiro indígena (a exemplo de “Canide Ioune-Sabath”, canção elegíada tupinambá recolhida pelo francês Jean de Lery no Rio de Janeiro quinhentista), o folclore infantil (como a melancólica “Nesta Rua”) e as canções de caráter popular (com destaque para o dolente canto-fetiche de macumba “Estrela é Lua Nova”, da coleção Canções Típicas Brasileiras).


Rosana e Nahim encerraram o concerto com as belíssimas canções do poema sinfônico Floresta do Amazonas, todas com letra da poetisa e embaixatriz Dora Vasconcellos – entre elas, “Veleiro”, “Canção de Amor” e “Melodia Sentimental”.


Clique aqui para ouvir Rosana e Nahim.


No dia seguinte (8/11), foi a vez da versátil soprano Veruschka Mainhard e do pianista Flávio Augusto apresentarem outras facetas do cancioneiro villalobiano – entre elas, todas as canções com letras em francês. A seleção incluiu Historiettes, Epigrammes Ironiques et Sentimentales e outros conjuntos de obras criadas a partir de escritos de Victor Hugo, Ronald de Carvalho, Alberto Samain e La Fontaine. Veruschka e Flávio reservaram para o fim do concerto a obra mais famosa do Maestro, até hoje, em todo o mundo: “Bachianas Brasileiras Nº 5”.


Clique aqui para ouvir Veruschka e Flávio.


O terceiro concerto da integral ficou a cargo do amoroso tenor Fernando Portari, acompanhado pela pianista Paula da Matta. Evocando o seu professor Aldo Baldin – importante tenor, responsável por antológica gravação das Serestas de Villa-Lobos –, Fernando emocionou a audiência com “Canção do Poeta do Século XVIII”, “Modinha” e “Realejo”, belíssimas parcerias do Maestro com Alfredo Ferreira, Manuel Bandeira e Álvaro Moreyra.


Clique aqui para Fernando e Paula.


O último concerto da Integral para Canto e Piano de Villa-Lobos teve à frente, acompanhada pelo pianista Flávio Augusto, a delicada soprano Carol McDavit, autora do recém-lançado livro Vozes das Américas - Encontro das Culturas Europeia, Africana e Indígena nas Canções de Câmara de Heitor Villa-Lobos e Aaron Copland.


Centrado nas canções de Villa com letras em espanhol, italiano e inglês, o programa da noite destacou as canções do musical Magdalena, que subiu ao palco do Ziegfield Theatre, na Broadway, Nova York, em 1948. Pela primeira vez, o público brasileiro pôde ouvir as versões de câmara dessas canções em sua totalidade – um trabalho que contou com a inestimável colaboração de Flávio Augusto.


Também participaram do concerto o tenor Guilherme Kurtz, o barítono Flávio Mello e o violoncelista David Chew.


Clique aqui para ouvir Carol e Flávio.


Em tempo: A série de concertos Integral da Obra para Canto e Piano de Villa-Lobos foi dedicada à memória de Martha Herr, professora e soprano norte-americana radicada em 1978 no Brasil, onde faleceu em 2015. Artista versátil, Martha era uma entusiasta da música contemporânea, especialmente brasileira. Em sua extensa e vitoriosa carreira, realizou mais de 100 primeiras audições – em sua maioria, de autores nacionais.