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Novidades do samba e do fado se encontram no recital de Alfredo, Moyseis e Carminho 17.11.16

Novidades do samba e do fado se encontram no recital de Alfredo, Moyseis e Carminho

O novo samba produzido no Rio de Janeiro e o novo fado lisboeta se encontraram no belo espetáculo que encerrou a série Música Sem Fronteiras, no fim da tarde de domingo, no último dia do 54º Festival Villa-Lobos. No palco de um Espaço Tom Jobim absolutamente lotado, os cantores e compositores Alfredo Del-Penho e Moyseis Marques fizeram as honras da casa para a portuguesa Carminho, que em seu canto fadista interpretou exemplares das músicas de Portugal e, sobretudo, do Brasil.


Coube a Alfredo Del-Penho a primeira parte do show, lindamente aberto com a sucinta “Pr’um samba”, composição de Egberto Gismonti de versos oportunos: “Eu já estou descrente / Deste meu povo que já não entende / E basta um pouco de carinho / Um cavaquinho rouco / Uma flautinha, um violão / Pr’um samba...” Outra composição de Egberto foi relembrada no set list de Alfredo (“Auto-retrato”, em parceria com Geraldo Carneiro), que teve como base o álbum “Samba sujo”,  do qual se destacaram as buliçosas “Samba com dengo” (Ângela Suarez e Paulo Cesar Pinheiro) e “Tabuleiro” (João de Aquino e José Márcio) e as frenéticas “Não vem que não tem” (Pedro Holanda) e “Ponto final” (do próprio Alfredo).


Num dos momentos mais marcantes do show, o cantor ressaltou a importância da matriz africana na música brasileira antes de entoar dois pontos de terreiro (“Caboclo Guaracy”, de Paulo Cesar Pinheiro, e “Ponto de Ogum”, tradicional) e “Iaô” (Pixinguinha e Gastão Vianna). Número mais aplaudido de Alfredo, a canção “Olha Maria” (Tom Jobim, Vinicius de Moraes e Chico Buarque) foi a senha para ele chamar ao palco Carminho, que dividiu com ele a interpretações de “Ventura” (Miguel Araújo) e “Triste”, esta última uma composição de Jobim que estará no próximo disco da cantora, todo dedicado ao Maestro Soberano.


A apresentação de Carminho se completou com três números musicais cantados em solo, com acompanhamento do violonista Marcello Gonçalves: o fado “Escrevi teu nome no vento” (Raul Ferrão e Jorge Rosa) e as canções “Contrato de separação” (Dominguinhos e Anastácia) e “Carolina” (Chico Buarque).


A segunda metade do show ficou a cargo de Moyseis Marques, que, depois de dividir com Alfredo Del-Penho a interpretação de “Parceria” (feita pelos dois há uma semana, com João Cavalcanti), pegou emprestado de Tim Maia um de seus bordões impagáveis (“Quem não dança segura a criança!”) para dar ares de gafieira a sua apresentação. Pelo repertório passaram os sambas-cartão-de-visita “Profissional” (de Moyseis com Nei Lopes) e “Poeta é outro lance” e o xote “Madeixa” (parceria com Vidal Assis), todos do EP “Made in Brazil”, lançado por Moyseis no fim do ano passado.


Outros grandes momentos do cantor foram a divertida “De lupa na Lapa” (parceria com Mauro Aguiar pescada do CD “Casual novo”, de 2013) e a sábia “O lado bom da incerteza” (feita com Zé Renato e gravada no disco “Pra desengomar”, de 2011). Deste último, desencavou também a faixa-título, feita em parceria com Alfredo – que voltou ao palco para o dueto. Carminho juntou-se aos dois no arremate da noite, quando interpretaram três clássicos do nosso cancioneiro: as marchas-rancho “Pastorinhas” (Noel Rosa e João de Barro) e “Estrela do mar” (Marino Pinto e Paulo Soledade) e o samba-choro inaugural da bossa nova “Chega de saudade” (Tom Jobim e Vinicius de Moraes).


Belo desfecho de uma noite sorridente (como a expressão que se vê na foto de Luiza Pimenta) em que a Lapa visitou o Jardim Botânico e, com ventos d’Alfama, fez jus ao nome da série que se encerrava: Música Sem Fronteiras.