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Na noite de encerramento, Egberto divide os aplausos com suas ‘sementes’ 17.11.16

Na noite de encerramento, Egberto divide os aplausos com suas ‘sementes’

Além da belíssima música que se ouviu na Sala Cecília Meirelles, a maior beleza da noite de encerramento do 54º Festival Villa-Lobos, no último domingo, foi a demonstração da perenidade da arte de Egberto Gismonti. Isso porque o homenageado do festival foi, sim, o centro das atenções da noite. Mas, dividindo-se em múltiplas funções (pianista solista e acompanhante, mestre de cerimônias e regente), cercou-se de herdeiros musicais que, em 150 minutos de recital, deram coloridos diferentes às suas composições que estavam no programa.


A noite foi aberta com “Miudinho” (Villa-Lobos), no piano solo de Egberto Gismonti, que em seguida anunciou seus primeiros convidados: “Das sementes, as mais próximas estão lá em casa: se chamam Alexandre e Bianca.” Craques nos dois instrumentos do pai (Alexandre é violonista; Bianca, pianista), apresentaram em dueto a delicada “A fala da paixão”. Em seguida, foi a vez de Alexandre juntar-se no palco ao violonista Jean Charnaux (formando o Duo a Zero), para juntos interpretarem composições de Egberto e de seu avô, Antônio Gismonti (“com quem começou toda essa história musical na nossa família”, como salientou Alexandre).


Depois de dois solos do violonista Daniel Murray (“Estudo nº 4”, de Villa-Lobos, e “Frevo”, de Gismonti), foi a vez de Egberto convidar ao palco o grupo Inventos, sexteto de sopros do qual é padrinho e que apresentou “Choro” (Egberto Gismonti) e “Coletâneas” (de Jonas Correa, trombonista do grupo). O programa seguiu com “Maracatu”, no piano solo delicado de Bianca Gismonti, e com a volta de Egberto ao palco, para apresentar a última atração da noite: a Orquestra Corações Futuristas, formada por 20 jovens músicos egressos da Orquestra de Sopros Pro-Arte.


“Eles são como uma colheita. Viver vale a pena!”, saudou Egberto, antes de recordar a regente e diretora musical da Pro-Arte, Tina Pereira, falecida em 2008, aos 50 anos. “Além das homenagens que o festival presta a Villa-Lobos e à minha música, peço licença para dedicar esta noite à memória de Tina Pereira.” Após os aplausos emocionados que se seguiram à lembrança, Egberto assumiu a regência da Orquestra Corações Futuristas, com um gestual que, além das habituais marcações de entradas, andamentos e dinâmicas, transparecia o quanto ele curtia o momento.


A plateia também adorou a energia solar e irreverente da Orquestra, que interpretou “Tá boa, santa?”, “Frevo” (aplaudida no meio da execução), “Bodas de prata” (em belo duo de Egberto com a clarinetista Aline Gonçalves), “Palhaço na caravela” (junção do hit “Palhaço” com “Caravelas”), “7 anéis” e “Forrobodó”, todas de Egberto Gismonti – a única exceção no repertório dos Futuristas foi “Fuga nº 9”, do argentino Astor Piazzolla.


Passado o bis (“Frevo”), eram 23h15 quando o público começou a esvaziar a antes lotada Sala Cecília Meirelles – para voltar ao cotidiano (de alma lavada) e iniciar a contagem de dias até a 55ª edição do Festival Villa-Lobos, no ano que vem.